você gostava de dizer dos helicópteros
que buscavam pólen no topo dos prédios
e estalava linda os lábios
em desaprovo
não, seu bobo
eles não vendem mais amor
na vinte e cinco de março

e insistia com olhos cerrados
de que sim havia gosto de café
em todos os postes do centro
e que as folhas de jornais
que voavam na barão de Itapetininga
contavam todos os segredos do mundo
conquanto claro você fosse um passarinho

até o dia em que você disse havia caminhos demais
no coração dos perdidos
e por isso a sensação constante
de que nos grita o chão pedindo pés

das memórias estes escombros
no canto dos olhos
seus os cabelos emaranhados
me perguntando
seu eu também claro era uma ruína
se eu também tinha pálpebras de aço
como um boteco
um domingo
ou um passado

nós nunca mesmo nos mudamos para aquele vagão imenso do metrô?

pouco antes que fossemos todos mortos
pelo capricho mais niilista
de deus, pelo
longo enterro de memórias ainda vivas
você me sussurrou
abrupta como quem jamais piscasse
que caso
nos tornássemos mesmo esquinas
seria fundamental aprendermos
a nos dobrar sozinhas

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