algumas traduções minhas em poemas de Ada Limón

Tubarões nos rios

nós diremos coisas inacreditáveis
um para o outro de manhã cedo-

nosso azul subindo de nossas raízes,
nossa água crescendo em nossos membros extraordinários

a noite toda eu sonhei com fogueiras e flamejantes lenhas
e fantasmas de homens, e espíritos
atrás daqueles pássaros ardentes

eu não posso dizer mais quando uma porta se abre ou se fecha
eu só posso ouvir o batente dizendo, Atravesse.

é um caminho pequeno –
para um outro quarto.

Considere a maçaneta. Considere a chave.

Eu digo a uma amiga, o quão medrosa eu sou com tubarões.

Como achei tê-los visto no rio
do outro lado da minha rua.

Uma vez esperei por eles, segurando um maço
de grama e ervas daninhas nas mãos
tremendo como uma menina de folhas fracas.

Ela me envia uma reportagem recente da National Geographic que diz

Tubarões mordem menos pessoas a cada ano do que
nova-iorquinos o fazem, de acordo com os registros do Ministério da saúde.

Então ela me leva ao meu caminho. Para a cidade dos tubarões.

Através de uma outra porta, eu ando ao East River dizendo

tubarões também são pessoas
tubarões também são pessoas
tubarões também são pessoas

eu escrevo todas as coisas que preciso na parte de baixo
do meu tênis. Eu digo, Vamos andar juntos.

O sol atrás de mim é como um fogo.
Pequeneninas chamas nas ondas do rio.

Eu digo algo pra deus, mas ele não é uma coisa viva
por isso eu digo isto ao rio, eu digo,

eu quero andar por essa entrada
mas sem todos aqueles fantasmas da margem
eu quero que eles fiquem aqui.
eu quero que eles sigam sem mim

eu quero que eles queimem na água.

*

Sharks in the Rivers

We’ll say unbelievable things
to each other in the early morning—

our blue coming up from our roots,
our water rising in our extraordinary limbs.

All night I dreamt of bonfires and burn piles
and ghosts of men, and spirits
behind those birds of flame.

I cannot tell anymore when a door opens or closes,
I can only hear the frame saying, Walk through.

It is a short walkway—
into another bedroom.

Consider the handle. Consider the key.

I say to a friend, how scared I am of sharks.

How I thought I saw them in the creek
across from my street.

I once watched for them, holding a bundle
of rattlesnake grass in my hand,
shaking like a weak-leaf girl.

She sends me an article from a recent National Geographic that says,

Sharks bite fewer people each year than
New Yorkers do, according to Health Department records.

Then she sends me on my way. Into the City of Sharks.

Through another doorway, I walk to the East River saying,

Sharks are people too.
Sharks are people too.
Sharks are people too.

I write all the things I need on the bottom
of my tennis shoes. I say, Let’s walk together.

The sun behind me is like a fire.
Tiny flames in the river’s ripples.

I say something to God, but he’s not a living thing,
so I say it to the river, I say,

I want to walk through this doorway
But without all those ghosts on the edge,
I want them to stay here.
I want them to go on without me.

I want them to burn in the water.

*

A condicional

Diga que o amanhã não vem.
Diga que a lua agora é uma geleira.
Diga que a amoeira está petrificada.
Diga que o sol é uma barricada de pneus queimando.
Diga que os olhos da coruja são alfinetadas.
Diga que o guaxinin é uma mancha de piche quente.
Diga que a saia é uma vala de lixos plásticos.
Diga que a cozinha é o cadáver das vacas.
Diga que nós nunca chegaremos a ver isto: brilhante
futuro, preso como uma estrela vagabunda, nunca
chegando perto, nunca deslumbrante.
Diga nós nunca a encontramos. Nunca a ela.
Diga nós gastamos nossos últimos momentos nos
encarando, mãos atadas juntas,
segurando o cachorro, vendo o céu queimar.
Diga , isto não importa, Diga, que isso seria
o bastante. Diga que você quer ainda isto: nós vivos,
bem aqui, sentindo-nos sortudos.

*

The Conditional

Say tomorrow doesn’t come.
Say the moon becomes an icy pit.
Say the sweet-gum tree is petrified.
Say the sun’s a foul black tire fire.
Say the owl’s eyes are pinpricks.
Say the raccoon’s a hot tar stain.
Say the shirt’s plastic ditch-litter.
Say the kitchen’s a cow’s corpse.
Say we never get to see it: bright
future, stuck like a bum star, never
coming close, never dazzling.
Say we never meet her. Never him.
Say we spend our last moments staring
at each other, hands knotted together,
clutching the dog, watching the sky burn.
Say, It doesn’t matter. Say, That would be
enough. Say you’d still want this: us alive,
right here, feeling lucky.

*

O primeiro

Rumo ao fundamento dos fundamentos,
a estrela funda no horizonte, o sopro inteiro
visão nas montanhas. Estes são os desenhos
da caverna, o começo das nossas preciosas
peças de autoestima, nossos braços segurando
nós mesmos, nossos braços feitos de papel,
nossos braços de papel segurando nossos órgãos
batendo dentro de nossos eu’s de papel.

*

The First

Down to the basics of the basics,
deep star on the horizon, full blown
vision in the mountains. These are the cave
drawings, the beginning of our precious
pieces of self worth, our arms holding
ourselves, our arms made of paper,
our paper arms holding our beating
organs inside our paper selves.

*

Esta Prática

Eles dizem a primeira coisa que se vai
é a memória a curto prazo. Você esquece
suas chaves, você esquece seu endereço,
você esquece o nome do presidente.
Eu gosto de pensar que é só uma questão de prática-
tivemos mais tempo para praticar a memória
da nossa luz favorita, do rosto do nosso irmão, o
riacho que passava pelo centro da nossa cidade.
Eu quero praticar. Como o soldado russo
que teve que inventar uma palavra pra dizer o quão
duro ele lutaria, ele disse que lutaria
“violentotalmente,” e é assim que vou me lembrar de você,
é assim como irei praticar – “violentotalmente.”

*

This Practice

They say the first thing that goes
is the short-term memory. You forget
your keys, you forget your address,
you forget the name of the president.
I like to think it’s just a matter of practice—
we’ve had more time to practice the memory
of our favorite light, our brother’s face, the
creek that runs down the center of our town.
I want to practice. Like the Russian soldier
who had to make up a word to say how
hard he would fight, said he would fight
“fiercefully,” that’s how I will remember you,
that’s how I will practice—“fiercefully.”

Sobre Ada Limón

ada

Ada Limón (28, deMarço de 1976) é autora de três livros de poesia: Lucky Wreck (Autumn House Press, 2006), vencedor do 2005 Autumn House Poetry Prize; This Big Fake World (Pearl Editions, 2006), e Sharks in the Rivers (Milkweed Editions, 2010). Seus poemas também já sairam na The New Yorker, The Harvard Preview, e Pleiades Journal. Ada já recebeu o prêmio Master of Fine Arts in Poetry da Universidade de Nova York onde estudou, além de ter sido agraciada com bolsas de estudo da New York Foundation for the Arts, da The Provincetown Fine Arts Work Center, e ter sido uma da juradas no 2013 National Book Award in Poetry.
Ela, atualmente, trabalha em um livro de ensaios, uma novela, e sua nova coleção de poemas, Bright Dead Things, que está sairá através da Milkweed Editions. Ada também trabalha como escrtirora freelance e professora de escrita criativa enquanto divide o tempo dela entre Lexington, Kentucky and Sonoma, California ( com uma grande quantidade de Nova York nos intervalos).

Bibliografia:

http://adalimon.com/about.html
http://www.poets.org/poetsorg/poet/ada-lim%C3%B3n
http://www.thescrambler.com/may07-limon.html

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